L:Tá doendo muito Lucas, de um jeito que parece que nunca
vai parar, tá me tirando o fôlego, como se eu tivesse cortado uma parte do meu
corpo e não tivesse conseguindo estancar o sangue.
Lu:Caramba Laura, porque é que essa loca da Pamela não te
esquece? Ela não queria o Carlos?Já não roubou tua herança? Que saco!
L:Ela é louca, uma assassina.
Lu:É, tem isso também.
L:Desgraçada! Sabe Lucas, por mais que meu coração diga
que o Murilo é inocente, eu vi, eu vi.
Lu:Você viu o que? Uma golpista deitada em cima do Murilo
desmaiado. Porque até que se prove o contrário, pra mim ele não estava
consciente.
L:Me ajuda Lucas, não sei o que pensar, não sei o que
fazer.
Lu:Primeiro você vai secar essa bica nesses olhos verdes
e assim que estiver mais calma vai pelo menos ouvir o que o Murilo tem a dizer,
porque você sabe com quem estamos lidando, e devido as circunstâncias e as
pessoas que estão envolvidas, nós temos que dar um crédito pra ele.
L:Talvez.
Laura ficou por alguns minutos ali, aproveitando o colo
de Lucas e adormeceu, já era quase 11hrs da manhã, mas como Laura não havia
dormido a noite toda, então ele a deixou dormir.
Leonardo entrou em casa de manhã.
Léo:Meu Deus! Passou um furacão aqui meu irmão?
Murilo estava de bermuda, sentado no sofá com os olhos
vermelhos, duas garrafas de Whisky em cima da mesinha de centro, uma vazia e a
outra pela metade.
Léo:O que aconteceu? Você tomou tudo isso sozinho? ( foi
indo em direção a ele)
Leonardo já foi tirando o copo da mão de Murilo.
M:Sai, me deixa! (meio estúpido)
Léo:Murilo, o que foi cara? Você brigou com a Laura?
M:Tô puto, o Carlos, aquele desgraçado veio aqui dizendo
que queria comemorar uma conquista profissional dele e blá blá blá, tomei um
copo de Whisky com ele e lembro que deitei na minha cama e...(começou a chorar)
Léo: Que isso Murilo? O que foi que aconteceu? Ele passou
mal?
M:E aí, quando eu acordei tinha uma mulher que eu nunca
vi na vida, pelada na minha cama, embolada em mim e a Laura parada na porta do
meu quarto já chorando e me xingando, eu nem sei o que aconteceu direito, o
porque de tudo isso, mas a Laura nunca vai me perdoar, nunca.
Leo:Mas porque? Você não fez nada, se ela te ama mesmo é
claro que ela vai te perdoar!
M:No meio de todo aquela confusão, ela chorava muito, eu
nunca vi ela chorar daquele jeito Léo, o Carlos apareceu e quando ele disse que
era meu irmão, ela entrou em choque, ele foi o desgraçado que acabou com a vida
dela no passado, que mentiu pra ela.
Leo:Calma aí, isso tudo está muito estranho, da onde saiu
aquela mulher na sua cama? Você nunca a viu? Ela não pode ter vertido do chão.
(estranhando)
M:Segundo a Laura ela é namorada do Carlos, que era amiga
dela e tudo mais e você não acredita, essa mulher deu um chá na época que fez
Laura sofrer um aborto.
Leo:Meu Deus, que monstro!
M:Agora você entende que ela não vai me perdoar.
Leo:Calma aí, as coisas não são bem assim, se eles são
tudo isso, Laura sabe com quem está lidando, acho que você deve ir atrás dela e
tentar se explicar, tá certo, se eu não te conhecesse também ia achar que era
mentira, porque vamos e convenhamos, isso tudo é muito sem nexo.
M:Acho que talvez seja a melhor coisa a ser feita. Vou
tomar um banho e vou até lá.
Leo:Não, espera, deixa a poeira abaixar um pouco, se
coloca no lugar dela, é muita informação pra processar de uma vez.
M: Só não sei se eu vou conseguir ficar todo esse tempo
sem ela.
Leo: Eu sinto muito cara.
E nisso se passou mais de uma semana...
Na casa de Carlos...
Depois de um sexo muito doido, Pamela estava deitada no peito
de Carlos, estava dizendo a ele que aquilo era uma comemoração.
C:Comemoração do que sua doida?
P:Da derrota da Laura, você disse que ela não voltou com
o gatão lá. Isso é o que me interessa.
C:Olha, quer saber, eu só vou te ajudar de agora em
diante se eu ganhar alguma coisa.
P:Dinheiro?
C:Não seria nada mal.
P:Não sei ainda, mas vou pensar.
C:Pensa com carinho... (rindo)
P:Chega aqui que quero um segundo round! (rindo)
C:Sua cachorra! (rindo)
Na empresa...
Carla: Dona Laura?
L:Sim?
C:O Drº Murilo pediu pra que a senhora fosse até a sala
dele.
L:O que? Peça pra que ele venha até aqui.
C:Então está bem.
Quando Carla estava quase chegando até a porta Laura a
chamou novamente.
C:O que foi Dª Laura?
L:Deixa eu vou. Obrigada Carla.
Laura ficou pensando sozinha.
“Que droga, isso dói tanto, ir até aquela sala, sem poder
tocá-lo, beijá-lo. Mas vou superar isso. Sei que vou”.
Laura foi até a sala de Murilo, o coração pulsando na
boca. Encostou na porta e bateu.
M:Pode entrar.
“Meu Deus, essa voz está penetrando meu coração, acho que
vou morrer pesava desesperada”.
Laura foi entreabrindo a porta.
Não haviam se visto todo esse tempo. Fizeram de tudo pra
não precisarem se falar, mas agora teria que ser cara a cara.
L:Você precisava falar comigo?
M:Sim! Você pode se sentar Dona Laura?
L:Dona Laura?( pensou triste Laura) Pronto, estou sentada
pode falar Srº Murilo.
M:Senhor Murilo? (pensou triste Murilo)Então Dona Laura,
estou pedindo demissão.
L:O que?
M:Estou com outro emprego em vista e acho que é a minha
oportunidade.
A noticia tinha pego Laura de surpresa, que ela não sabia
o que dizer.
M:Dona Laura?
L:Para! Para! Para com isso, não misture sua vida pessoal
com sua vida profissional, isso é muito antiprofissional da sua parte.
M:Laura! Quer dizer Dona Laura não é...
L:Para com esse Dona Laura Murilo! Eu preciso de você
aqui, digo a empresa precisa de você!
M:A empresa? Eu sou humano Laura, eu tenho sentimentos,
você acha que eu estou bem nessas duas semanas sem você? Você acha que você aí
sentada na minha frente sem estar aqui nos meu braços me enchendo de beijos
e...
L:Para com isso! Agora não é hora e nem lugar pra
conversar sobre isso.
M:Não é hora? E quando é hora então?
L:Esse assunto tá encerrado Murilo, tudo que tinha que
ser dito já foi dito!
M:Fale isso por você! Eu não estou bem e como eu poderia
estar? Você viu e concluiu e pronto, nem me ouviu!
L:Ouvir o que Murilo! O que eu vi já não explica!?
M:Não, não explica! Eu te amo! Eu tô morrendo sem você!
(gritando)
L:Você quer falar? Então fala! Mas não agora e nem hoje
eu, eu vou ver o dia e você vai em casa e diz o que você quer dizer!
M:Venha aqui!
L:Porque?
M:Venha!
L:Se você fizer alguma...
M:Não vou te agarrar.
Laura se aproximou.
M:Fecha os olhos e me dá a sua mão!
Laura obedeceu.
M:Coloca seu dedo aqui e abra os olhos.
L:O que é isso?
M:Que dia está aí?
L:22
M:Dia 22 eu estarei na sua casa, ás 22hrs
L:Mas eu não sei se...
M:Chega! Se depois dessa conversa você ainda não
acreditar em mim, sumo da sua vida, porque ficar com alguém que eu amo, mas não
confia em mim. Não vai dar.
L:Como quiser. Vamos logo então colocar uma pedra em cima
dessa história.
Laura saiu batendo o pé e voltou pra sua sala.
A noite.
Laura estava em seu apartamento com Lucas.
Lu:Eu já acho que você esperou tempo demais pra ter essa
coversa, você esperou tanto a coisa esfriar que acho que até já congelou.
L:Lucas eu não estava preparada.
Lu:E agora você está?
L:Não sei direito.
Lu:Para de ser movida por impulsos Laura, você tem que se
tocar e dar o pontapé nas suas decisões.
L:Vou pensar.
Lu:Não tem o que pensar, na hora teu coração ira dizer o
que fazer.
L:Espero.
Lu:Você é só imagem ein Laurinha, por fora esse mulherão
furacão, que chega na empresa mandando em todo mundo, dona do seu nariz, não
leva desaforo pra casa, mas na verdade você continua a mesma menininha que ia
em casa dormir comigo quando estava tempo feio de chuva.
L:Lucas... (indo em direção ao colo amigo, que tão bem já
conhecera) Só você me entende.
E chaga o grande dia.
Laura estava apreensiva, não parava de andar em sua sala,
as horas pareciam dias e seu coração ainda não dera a resposta que Lucas havia
lhe dito.
A campainha tocou.
Ai meu Deus, é ele. (pensou Laura)
A campainha insistia.
Minhas pernas não vão (aflita)
A campainha não parava.
(Quando abre a porta)