L:Olha, estava tão boa essa tarde, que nem vimos a hora,
já esta quase na hora de irmos ver os exames.
M:Quando estamos em boa companhia é assim mesmo.
...de repente
M:O que você tem Laura?
L:Ai! Que dor... (Laura colocava a mão na cabeça)
M:O que eu faço?
Murilo pegou um papel e começou a abaná-la.
M:Respira.
Vozes vinham na cabeça de Laura, mas ela não via nada,
apenas ouvia.
“Amor levanta, vamos ao parque, vamos fazer um
piquenique.”
“Amor?! Vamos! Você ainda está esperando chover?”
“Laura, casa comigo?”
“Caso! Caso hoje e caso sempre!”
“É claro que eu te amo, eu vou te amar a minha vida
toda.”
“Adrenalina! Preciso de adrenalina!”
“Vamos Laura! Abre
os olhos!”
M:Laura!
Laura havia desmaiado de novo em seus braços.
M:Amor para com isso. Não tem graça.
Dessa vez não foi tão demorado como da primeira vez.
L:Eu, tive umas lembranças.
M:Sério?
L:Sim, mas não consigo distinguir de quem é.
Estavam embaralhadas.
M:Mas o que diziam?
L:Piquenique... Casamento... O acidente
M: Graças a Deus.
L:O que?
M:Nada, isso deve ser o começo da volta da sua memória.
L:Isso mesmo, porque eu sinto que falta alguma coisa.
Murilo não conseguia esconder sua alegria, ao ouvir o que
Laura havia lembrado. Ainda mais quando ela disse que faltava algo. Era ele,
ele, tinha certeza disso.
M:Vem, vamos ver os exames, já iremos sabemos o que é
isso.
L:É.
No hospital.
Médico:Parabéns Dona Laura, você vai ser mamãe!
L:O que?
M:O que?
Médico: Olha, eu como médico, nunca vi isso, isso é um
milagre, um verdadeiro milagre. Sua idade, seu acidente. Como eu não sei, mas
esse bebê estava o tempo todo aí.
L:Meu Deus! (chorando)
M:Não, eu mato aquele desgraçado do Carlos (falando
baixo)
Médico:Esse pequenino quer muito viver. E isso é muito
emocionante, eu como médico, estou muito emocionado.
L:Mas se eu já estava grávida desde o acidente, estou
com...
Médico :Pouco mais de três meses.
M: Ah meu Deus! (caindo em si)
Murilo nem pensou em nada, simplesmente pegou Laura no
colo e a rodopiou no ar.
M:Eu sou o homem mais feliz desse mundo! (gritando)
L:Murilo, me coloca no chão.
Laura ficou estranhando Murilo, essa era a reação que o
pai da criança deveria ter.
Médico:Nossa, o Pai parece que ficou mais feliz que a
mãe.
Laura nem respondeu, até porque ia ser complicado.
Médico:Isso realmente foi um milagre. Mas pra que
continue assim vocês terão que ter cuidado redobrado. Vamos levar em
consideração que a senhora Dona Laura, não pode ter a mesma rotina e acima de
tudo não sofrer fortes emoções, o que no caso atual será um pouco inevitável.
M:Isso mesmo, ela tá tendo alguns fleches do acidente e
tudo mais.
Médico:Então é exatamente disso que eu estou dizendo.
L:Mas e então?
Médico:Sua cabeça tem que estar o mais leve possível.
Lembre-se que tudo, absolutamente tudo o seu bebê sentirá.
L:Pode deixar, vou ficar um bom tempo em casa. Não era a
alimentação mesmo. (sorrindo)
Médico:É,não era. (sorrindo) Então meu parabéns e siga
todas as recomendações! (cumprimentando eles)
No carro Murilo e Laura.
L:O que foi aquilo? Até parecia que realmente você era o
pai.
M:Pai! (todo feliz)é que eu tava fingindo pro médico.
(sorrindo enquanto dirigia)
L:Ah tá. Você até me assustou.
M:Mas estou muito feliz.
L:O Carlos também vai ficar.
M:Você vai contar?
L:Que pergunta Murilo, mas é claro que vou, ele é o pai.
A Cada vez que ela dizia isso, era como uma facada no
peito de Murilo, mas isso não era nada em vista da alegria que sentia por saber
que ia ser pai do filho da mulher da sua vida.
Na casa de Carlos.
Pamela e Carlos estavam na cama, tinham acabado de ter
umas horas de sacanagem.
P:Estou me matando.
C:Confesso que eu também.
P:Onde será que essa bicha se meteu.
C:O que importa é que mesmo se ele voltasse agora e por
alguma cagada conseguisse fazer Laura lembrar de tudo, seria tarde demais. Já
vendemos duas filiais da Flexystens, temos a nossa mansão na Itália e uma conta
de mais de 2 milhões. (rindo)
P:Nossa, quando ela se lembrar, vai querem esquecer de
novo, isso se um dia ela se lembrar.
C:É muito dinheiro, em só dois meses conseguimos isso,
até o casamento nem precisamos de mais nada.
P:Eu tive uma ideia.
C:O que?
P:Tem ainda quase um mês pro casamento. Vamos nos
apressar e pegar mais dinheiro e no dia do casamento, na hora do sim, dizemos
pra ela que ela caiu e fechamos nosso golpe com chave de ouro.
C:Porque isso?
P:Porque eu quero ver essa desgraçada humilhada, acabada,
jogada na sarjeta, comendo o pão que o diabo amassou.
C:Nossa, como a minha cachorra é malvada. Vamos fazer
isso sim.
P:Já posso até imaginar a cara dessa idiota. Quando ela
disser sim e depois nós jogarmos tudo ao vento. (rindo)
C:E vamos de lua de mel pra Itália, estrear nossa mansão.
(sorrindo)
P:E vem cá! O Murilo é responsável pela contabilidade da
empresa não é?
C:É
P:Ele ainda não veio tirar satisfações com você?
C:Não, ele não sabe, porque estamos roubando a Flexystens
e ele é responsável pela Drumonnd, essa a Laura ainda não assinou nada que eu
consiga fazer algo como vender por exemplo. Só posso demitir pessoas e
representá-la em alguma reunião.
P:Que bosta.
C:Mas com as filiais já está ótimo.
P:Serve.
Ficaram ali mais um pouco e depois de uma hora, Carlos
estava no sofá e Pamela na cozinha.
Murilo deixou Laura em casa, estava com muito cuidado em
deixá-la agora que ela estava esperando um filho dele.
Mas isso, infelizmente não dependia dele.
L:Boa noite!(deu
um beijo nele)
C.D:Oi Amor.
L:Fui ao médico hoje!
C.D:O que aconteceu?
L:Achei que fosse o acidente.
C.D:Você se lembrou?
L:Algumas frases, mas nenhuma imagem.
C.D:Graças a Deus.
L:Porque? Não adiantou nada.
C.D:Eu quis dizer, graças a Deus você lembrou de alguma
coisa.
L:Mas o mais importante você não sabe, o que os exames
apontaram.
C.D:O que?
L:Você vai ser papai, eu estou grávida!
C.D:O que? Isso não é possível.
L:O médico também ficou assustado, foi um milagre, com o
acidente e ele conseguiu ficar intacto aqui dentro quietinho (colocando a mão
na barriga)
C.D:Nossa.
L:O que foi? Não ficou feliz?
C.D:Não, claro que fiquei, é que ainda estou absorvendo a
notícia.
L:Mas agora tenho que repousar, não posso ficar nessa
maratona que eu estava na Drumonnd, não posso correr nenhum risco.
C.D:Claro, deixa que eu vou cuidar de tudo pra você.
L:Claro que não posso ficar em casa até o bebê nascer,
mas vou umas três vezes por semana.
C.D:O resto deixa comigo amor.
L:Vou subir, tomar um banho, estou morta, o dia foi
cheio.
C.D:Claro, depois peço pra Pamela te levar algo pra
comer.
L:Não! Estou com o estômago horrível. Não consigo por
nada no estômago. Talvez algo pra beber.
C.D:Pode deixar, eu mando alguma coisa.
Laura subiu pro banho.
C.D:Que macumba você fez?
P:Não disse? Seu mentiroso, eu sei dessas coisas.
C.D:Ei pera aí, esse filho não é meu, é do Murilo.
P:Nossa, mesmo depois do acidente? (surpresa)
C:E agora?