domingo, fevereiro 14, 2016

Doce Poesia - 11º Episódio

Aquilo deixou Beatriz intacta.
Oque? Será que ouvira direito?
B: O que foi que disse?
Não conseguia sequer continuar fazendo o que fazia.
Dan: Que te amo – aproximando-se –
B: Só pode estar louco.
Dan: Pode chamar como achar melhor... – sorrindo –
B: Saia daqui.
Dan: Não posso.
B:Estou mandando.
Dan: Estou cumprindo uma ordem.
B: E eu estou te dando outra.
Dan: Não cumpro ordens onde me obriga a sair de perto de você.
B: Não quero te olhar! Não quero!
Dan: Pois não, feche os olhos e te visto exatamente como estava.
B: Não brinque comigo!
Dan: Não estou brincando.
B: Esta querendo me confundir. Eu ouvi quando Bento disse para me levar “aquele quarto” que quarto é esse?
Dan: Um quarto provisório.
B: Provisório?
Dan: Sim.
B: Vai me prender.
Dan: Não da maneira que eu queria.
B: Eu não te entendo...
Ele sentou-se na cama e segurou delicadamente seu queixo.
Dan: Queria poder te prender em meus braços, e tirá-la deles apenas quando tivesse que segurar nosso filho.
A Boca queria retrucar e dizer o quanto tudo isso que estava ouvindo era absurdo, mas não. Apenas continuava hipnotizada naqueles olhos, que aproximavam-se cada vez mais perto dos seus.
Um beijo... O coração acelerava muito a cada centímetro mais próximo.
Mesmo assim ela não recuava. O que estava acontecendo?
O que pensava que estava fazendo?
Os lábios estavam próximos, o perigoso beijo aconteceria.
A porta abriu bruscamente interrompendo o momento.
Era uma empregada apressada, pensou que o quarto estava vazio.
Dan: Já disse que não se deve entrar dessa maneira nos quartos, principalmente esse.
_: Me desculpe Senhor, prometo que isso não... – interrompida –
Beatriz ainda estava alheia a qualquer coisa que diziam.
A empregada fechou a porta e Dan a olhou, estava um tanto corada e isso o fez sorrir discretamente.
B: Eu... Preciso me vestir, pode ao menos virar-se já que não “pode” sair?
Dan: Claro.
Ele virou-se e ela começou a vestir-se, o nariz ainda vermelho e os olhos marejados.
As lagrimas insistiam em ficar, e tudo o que ouvira ali estava fazendo um estrago em seus pensamentos.
Estava vestida e pronta... Pronta para qualquer que fosse o desafio que Deus estava lhe propondo.
Ele aproximou-se dela e segurando seu queixo, disse:
Dan: Isso tudo, vai acabar. Eu prometo.
Ela o encarou e completou:
B: Eu não acredito em você, e ninguém.
Ele sorriu novamente.
Dan: Está certa, porque acreditaria em mim? Sou apenas o mordomo de uma vida que acabou de conhecer.
Agora vamos, antes que seu marido queira apressar-nos, e não gosto disso.
Ele segurou em suas mãos, mesmo com o tecido um tanto grosso das luvas, podia sentir que as mãos dele estavam aquecidas;
Ela não tinha medo, sabia o que a esperava. Tinha algo com aquele quarto no corredor, algo a chamava para ele e era lá que estava indo.
Estavam no corredor, mesmo com um tanto de receio, ela não tentava fugir ou impedir de chegar aquele lugar.
Beatriz via a porta, estava bem a sua frente, há poucos metros...
Os passos não diminuíram, estavam aproximando-se, o coração de Beatriz palpitava ainda mais forte, cada vez mais perto e seu coração batendo mais rápido.
Enfim chegaram em frente a ele, mas Dan a surpreendeu, em uma parte da parede ele puxou uma alavanca, onde uma porta abriu-se anunciando a escadaria que nela continha.
Estava um tanto escuro, e quando ele ameaçou entrar, ela parou.
B: Por favor, não seja como ele...
Dan a puxou para dentro e fechou a porta, ainda escuro, ela sentia-se amedrontada. A respiração ofegava, mas ela ainda o sentia segurar seus braços.
Ele segurou o outro braço e levou junto ao seu próprio peito, Beatriz sentia seu coração com as mãos...
Dan: Shi... Fique calma. Está sentindo?
Ela não conseguia dizer nada.
Dan: Beatriz?
B: Eu não...
Dan: Está sentindo?
B: Sim... – a voz tremula –
Dan: Ele bate assim porque tem medo.
Ela ficou um tanto mais apavorada, se até ele tinha medo do lugar, como ela poderia não ter?
B: Medo...
Dan: Medo de não te ter assim tão pertinho de mim novamente.
A Luz acendeu, mostrando mais uma vez a Dan, o quanto Beatriz ficava nervosa com a sua aproximação.

segunda-feira, fevereiro 01, 2016

Doce Poesia - 10º Episodio

Pensou que morreria, o frio invadiu todo o seu corpo, como se estivesse afundando em um mar coberto de gelo, o arrepio era indescritível.
Era Bento!
B:Não, por favor eu... – virando-se –
Em sua cabeça viraria e correria o mais rápido que pudesse para dentro de seu quarto e só depois pensaria em algo.
Não queria sofrer, não mais aquela noite.
Ao virar-se os braços ficaram parados sobre seu peito.
D: Shiii... – docemente –
Ele sorriu docemente e completou:
D: Não quer que te ouçam, não é?
Beatriz não saberia dizer quando foi que o mordomo colocou as mãos sobre a sua, as segurava como se estivesse protegendo-as.
B: Eu preciso voltar para o meu quarto.
D: Precisa sim... – ainda sorrindo –
O mordomo estava “desmontado”, vestia uma calça confortável de algodão e uma camiseta branca de malha.
Estava confortavelmente a vontade.
O cabelo desgrenhado e um caderno nas mãos.
Era como se fosse hipnotizada.
Chacoalhou a cabeça e soltando-se das mãos protetoras dele, ela seguiu apressadamente até seu quarto.
Ao entrar nele, ela fechou a porta cuidadosamente e encostou-se nela, deixando sair por entre os lábios o mais profundo dos suspiros.
Dan aproximou-se da tal porta que tanto Beatriz tem curiosidade em abrir, respirou fundo e ao colocar uma das mãos no bolso da calça, retirou a chave, colocou na fechadura e girou abrindo o cômodo.
Fechou a porta e encostou-se na mesma, ficando de frente para o que mais amava.
-
A noite não melhorou em nada para Beatriz, passou grande parte da madrugada contemplando a escuridão do quarto e nada do sono chegar.
Naquela manhã, os olhos de Beatriz amanheceram inchados, não dormira a noite e inteira e tal coisa logo foi percebida por Bento.
Na enorme mesa posta para o café da manhã, Beatriz e Ana aguardavam Bento para prosseguirem com o café.
Assim que ele chegou e sentou-se na mesa, lá estava, Dan... Posto ao lado de Bento como um guarda olhando firmemente o trabalho das empregadas.
Beatriz pode perceber que somente com o olhar e um discreto gesto com a mão direita, ele chamou a atenção de uma mocinha que iria servi-la do lado errado.
Ela não conseguia parar de olhá-lo, ele era misterioso, e isso aguçava em Beatriz uma curiosidade perigosa.
Tinha certeza que ele tinha muitas respostas para ela sobre aquela casa, sobre Bento ou até mesmo o que ele andava planejando. Mas será que o tal Mordomo contaria a ela? Mal se conhecem...
Tais pensamentos iam longe, e as tantas probabilidades iam e vinham na cabeça dela com a facilidade de um balanço de parque.
Todos aqueles pensamentos intrigantes foram dispersos ao ouvir Bento chamando-a. Foi como se estivesse acordado naquela hora.
Olhou para a filha, a mesma já comia as panquecas que a senhora cozinheira preparou com frutas frescas logo pela manhã e logo lançou seu olhar para a direção de Bento, tanto ele quanto o tal Mordomo Dann a encarava.
B: O que foi?
Benn: O que fez ontem a noite?
A voz ficou preza, o nervosismo deveria ser contido. Olhou disfarçadamente para Dan que estava estranhamente tranquilo.
Ela tentava formular algo para dizer, estava com medo. Será que o mordomo disse a ele?
Benn: FALA! – alto –
B: Não fiz nada.
Bento então a retrucou.
Benn: Nada?
B: Já disse... Nada.
Benn: E porque esses olhos inchados? De chorar é que não foi, te trato como uma Rainha, não tens motivo pra chorar.
B: Eu só estranhei a nova casa, não consegui dormir muito bem.
Benn: Claro, também demorei um pouco pra pegar no sono, mas logo você se acostumará. Afinal, viveremos aqui por muito tempo, muito tempo mesmo.
Ela abaixou a cabeça e começou a se servir, faz tempo que não comia feito gente, na mesa, com a filha.
Antes que pudesse saborear qualquer uma das delicias de que se servira, Bento a chamou novamente.
Benn: Beatriz!!
B: O que foi?
Benn: Vai passar uma maquiagem nesse rosto, não quero olhar pra você desse jeito. E vai agora!


B: Claro... – levantando-se –
Timidamente passou por Dan em direção ao banheiro. Não bateu a porta, olhou para o espelho acima da pia e abriu sem paciência alguma uma das gavetas da pia.
O Estojo de maquiagem que tinha, estava esperando-a ali. Parece que Bento sempre tem tudo planejado.
Assim que puxou o estojo viu abaixo dele as lâminas... Pareciam a chamar, como um feitiço... Como quando as Rocas de afiar da Bela Adormecida a chamaram no dia em que completara seus quinze anos.
O brilho delas, não deixavam dúvidas de que precisaria apena um único risco e estaria tudo acabado.
Pegou cuidadosamente em suas mãos, lentamente passou o polegar em uma delas, um filete de sangue logo aparecer.
Olhou-se no espelho, os olhos ainda inchados.
Já não se reconhecera, quem era essa mulher? Estava irreconhecível.
B: A feliz Beatriz Miriolli assinou sua morte no dia em que Ana Beatriz Cordeiro nasceu, Bento vem matando-a todos os dias.
E se eu não for quem eu sempre fui, não quero continuar mais nesse mundo.
Colocou a lâmina no pulso, fechou os olhos e com toda a coragem que deveria ter, começou a pressioná-la lentamente.
O corte em seu pulso não chegou a ser feito, foi pega em flagrante.
Dan: Por favor, não faça isso.
A voz era calma.
Beatriz virou-se para ele, a porta estava fechada e sequer ouviu o mesmo fechá-la.
As mãos estavam trêmulas ao ver o mordomo a sua frente com os olhos marejados.
Ele pegou a mão dela que segurava a lâmina, o sangue escorria pelo dedo polegar manchando o tecido branco das luvas de Dan.
Ele direcionou a lâmina ainda nas mãos de Beatriz para seu próprio pulso.
D: Se tem coragem para fazer algo dessa maneira, mate-me antes.
B: Oque? – assustada –
D:Não suportaria viver em um mundo sem você, Senhora Beatriz. Mate-me!
B: Não! Está maluco?
Ela soltou a lâmina no chão.
Dan a pegou e colocando-a sobre o pulso novamente, disse:
D: Então deixe-me que o faça.
B: Não! Pare com isso.
Ela segurou seu rosto.
B: O que pensa que está fazendo?
D: Por favor... Eu não suportaria.
B: Quem é você?
Ambos encaravam-se, o silêncio pairava.
Logo a estrondosa voz de Bento pode ser ouvida, ele chamava o mordomo.
Ele puxou delicadamente uma das mãos de Beatriz, e após um carinhoso beijo na mesma, virou-se saindo o mais depressa daquele banheiro.
Beatriz não soube explicar, só sabia que não poderia matar alguém, e pelo jeito o tal mordomo não estava blefando.
Olhou novamente para o espelho.
Antes de abrir o estojo de maquiagem, lembrou-se do corte em seu polegar, procurou nas demais gavetas até encontrar um pequeno curativo autocolante.
Fez rapidamente uma leve maquiagem e voltou a mesa.
Ela percebeu durante o café que as luvas que o mordomo usava, agora eram outras, mas para seu alivio, Bento pelo jeito não percebera o discreto detalhe.
Ben: Está bem melhor assim.
Beatriz apenas abaixou a cabeça, desconfortavelmente.
O acabara de acontecer naquele banheiro, ainda revirava em sua cabeça.
Será que o mordomo realmente morreria por ela?
Mas porquê? Nem o conhecia! Será que era algum maluco?
A manhã passou rápida, para Beatriz tanto fazia, era proibida de sair de casa, na verdade, em sua antiga casa não podia sai nem do quarto.
O porque ela pode andar livremente naquela casa, ainda é um mistério para ela.
Bento saiu logo depois do café da manhã, levou Ana a nova escola e em seguida seguiu para o Trabalho, não demorou muito até Beatriz saber que Bento tinha a Fabrica das joias naquela cidade.
Mas ela estava solta, porque?
Ela foi até a cozinha, os empregados eram estranhamente quietos, não poderiam ser assim ao natural, isso era uma das ordens de Bento.
O Mordomo a intrigava, era o mais misterioso, o pegava encarando-a a todo o tempo, chegava a assustá-la.
Ela arriscou uma conversa.
B: Olá... – sorrindo timidamente –
O silêncio continuou contemplando o lugar.
B: O que teremos para o almoço de hoje?
Uma empregada a respondeu um tanto apressada, como se quisesse que Beatriz não demorasse muito mais ali.
_ Cordeiro ao molho branco, Senhora.
B: Parece-me delicioso.
Novamente tudo ficou quieto e mesmo assim, Beatriz não intimidou-se.
B: Não é cedo demais para começar a preparar o almoço? Acabamos de terminar o café da manhã.
_ Senhor Bento gosta de tudo pronto com antecedência.
B: Claro que gosta. – baixo –
Já não tinha mais o que dizer para começar uma conversa, era realmente muito bem treinados, ao virar-se, esbarrou nele.
B: Oh, meu Deus. Perdoe-me... eu – interrompida –
D: Desculpe-se, sou um descuidado, a machuquei? Quer algo? Os empregados não te agradam? O Almoço está de seu agrado? Se quiser podemos trocar tudo e – interrompido –
B: Por favor, acalme-se. Tudo está perfeitamente bem. Não se preocupe comigo.
D: Sempre me preocuparei com a Senhora. Não me peça uma coisa dessas, eu não a cumprirei.
Ela ficou sem resposta, sempre ficava, Dan as roubavam de sua boca a cada frase dita.
B: Gostaria de conhecer a cidade, talvez se...
D: Não.
Beatriz ficou em silêncio.
D: Não seria uma boa ideia, Senhora.
Ela virou-se sem ao menos responde-lo. O não que ouviu deles, ela não sabe o porquê, mas a deixou profundamente irritada, a vontade que teve foi de gritar com ele. Mas não podia, não deveria.
Os passos dela eram apressados, mal percebeu que já estava no jardim.
Olhou para o céu, mil perguntas passavam por sua cabeça e sem nenhuma resposta.
B: Eu quero viver... Eu quero...
Tais palavras ainda dançavam em sua mente.
As mãos eram diferentes, o pano provocou certo arrepio em seus braços.
D: Você vai viver, Beatriz.
A Respiração ficou presa, o coração disparou.
Era o Mordomo.
Como sabia que dentro de sua cabeça tal pensamento rodava.
Assim que o breve momento de transe passou, ela virou-se de frente para ele e bravejou:
B: Quem pensa que é? O que pensa que está dizendo? Não sabe nada da minha vida, nada sobre mim. Não sabe o que passei e o porquê estou aqui. Não me toque! Nunca mais! Não tem esse direito.
D: Eu sei tudo sobre você. E estou te afirmando que irá viver. Confie em mim.
B: Não te conheço, como posso confiar em você?
D: Eu daria a minha vida pela sua.
B: Porque não me diz logo de onde me conhece? Porque está aqui? Porque diz essas coisas?
D: Nem tudo precisa de uma explicação, Senhora Beatriz.
Ele aproximou-se dela e passou uma das mãos delicadamente por seu rosto e disse sussurrando em seu ouvido;
D: Não te tocar, nunca mais? – rindo – Um dia, irá rir disso assim como eu.
Beatriz sentiu o corpo todo tremer, nunca chegara tão próximo de outro homem daquela maneira.
E para seu desespero, a sensação foi maravilhosa.
Dan sentia uma vontade imensa de fazer o que sempre teve vontade, o que sempre ficou preso no seu mais profundo sentimento.
B: O que sabe sobre meu marido? O que sabe sobre essa família? Desde quando trabalha com ele? Porque?
Ele riu novamente.
D: Essa sua curiosidade é engraçada. Você sabe apenas o que precisa saber, Senhora Beatriz.
B: Por favor, tire o Senhora.
D: Beatriz... Gosto assim. – sorrindo –
Ele virou-se para deixar o lugar, mas antes certificou que a deixaria bem.
D: Precisa de algo?
B: Não.
D: Se precisar, sabe que pode me chamar a hora que for, que eu estarei disposto pra você.
B: Me lembrarei disso, Dan.
Ele sorriu e estava deixando o lugar, mas antes voltou de frente para ela e perguntou ousadamente.
D: Gosta de Poesias, Beatriz?
B: Eu costumava a amar poesias.
D Costumava?
B: Sim, hoje já não as leio mais e já não me encanta como antes.
D: Pois se apaixonará novamente! Eu prometo a você.
Como podia ser empregado de um homem como Bento e sorrir tanto assim?
Era doce, e o seu sorriso a acalmava.
O que será que ele quis dizer?
Poesias... Como amava recebe-las.
-
O casarão era enorme, e ela queria mais era saber o que era cada cômodo daquele lugar.
Deu a volta pela casa, o jardim era apenas até certo ponto, logo a grama ia desaparecendo e dando lugar a um orvalho úmido, a terra tão escura que parecia preta.
As arvores em torno começavam a se fechar, como que se protegessem o local.
Parecia uma casinha daquelas que guardam ferramentas, uma corrente passava pela porta, anunciando que ali, ninguém entrara tão recente.
Ela colocou a mão no cadeado e logo um calafrio percorreu todo o seu corpo.
Resolveu sair dali antes que um dos empregados acabasse sendo um conveniente solicito e informasse ao seu Marido sobre seu passeio em uma área um tanto estranha naquela casa.
-
O que faria todo o dia dentro daquela casa? Não podia sair, não conhecia nada e sequer com os empregados podia falar.
Durante toda a tarde, Beatriz não viu mais o Mordomo, e isso a deixou incomodada.
O observava de longe, quieta. Uma distração! Quem sabe não o pegava fazendo algo que lhe desse algumas respostas as tantas perguntas em sua cabeça?
Não tinha nada a perder, e tempo era o que ela mais tinha depois que se mudou pra essa casa.
-
Bento deu a alegria de sua presença ao fim da tarde, a filha mal falava com ela, e assim que entrou na casa junto com o pai, correu para o quarto... Os eletrônicos da Cidade já haviam tomado os poucos minutos de atenção que Ana Beatriz dedicava a mãe.
A: Pai, me chama quando o jantar estiver pronto. – gritou subindo as escadas –
B: Mal falou comigo.
Benn: Ela nem falou.
Ela o olhava, e pensava o quanto poderia estar feliz agora, o quanto o amou... ou ainda ama.
Os pensamentos estavam deixando-a estranha.
No impulso, uma de suas mãos alcançou o rosto de Bento, ele tinha a cara fechada, a expressão de bravo era quase que comum nos últimos anos.
Ela deslizou pela face e consequentemente pela barba.
Benn: O que é isso?
B: Quando foi que as coisas ficaram assim?
Benn: Você mudou!
B:Eu? Só eu? Eu me tornei uma mulher! E você um...
Benn: Um oque?
B: Eu só queria saber o porquê.
Benn: Eu sempre fui assim.
B: Não! – gritando –
Benn: O que quer?! – segurando-a pelos braços –
A Voz abaixou e ficou suave ao pronunciar tais palavras;
B: Amar de novo, te amar como antes, me sentir amada como no início de tudo.
Ele estava intacto, os olhos vidrados pra ela, como pode sentir sequer algum sentimento por ele, mesmo depois de tudo o que ele fez a ela nesses últimos tempos.
Benn: Eu...
Ele a puxou para seus braços. Os lábios invadiram os dela numa perfeita sincronia.
O corpo dela por um tempo ainda ficou tenso, há muito tempo não era amada por Bento, sequer era tocada por ele com carinho.
Aliás ele a tocava para machucá-la, e fez isso por muito tempo.
Mas eram muitos anos.
Ela não queria pensar em nada do que passou, e sim no agora. Agora ela queria matar a saudade de ter o marido.
Agora...
Bento tinha um turbilhão de emoções dentro de seu peito. O que fez com Beatriz? Como pudera se esquecer de todo aquele amor?
A abraçou forte enquanto a beijava.
Isso fez com que Beatriz se desmanchasse por entre seus braços.
Benn: Eu te amo, meu amor. Ainda te amo como antes, me perdoa, me perdoa.
Ele a enchia de beijos por todo o rosto, o gosto salgado ao beijá-la anunciou algo que Bento jamais gostava de que vissem... Lágrimas... Talvez as mais sinceras que pudera ver.
B: Bento...
Ela estava impressionada, acho que nem nos seus maiores sonhos ela imaginou tal situação.
O Beijo centralizou, e em meio a eles subiram as escadas em direção aos quartos.
Chegaram ao corredor, Bento queria ser rápido, não podia deixar que Ana visse algo tão improprio àquela hora da tarde.
Ainda no corredor Bento a prensou contra a parede, beijando seu pescoço e percorrendo até seu colo.
O desejo estava espalhado por todo o corpo de Beatriz.
O toque em seus cabelos já a deixavam excitada.
As pernas amoleceram quando ele tocou com os lábios um de seus seios, o corpo prensado na parede contra o dele anunciavam que o desejo era reciproco.
Como estava saudosa de tal situação, trazia maravilhosas recordações, o coração palpitava diferente anunciando que ainda existia algo por Bento, apesar de tudo o que aconteceu.
Será que era esse o destino? A reconciliação para que tudo voltasse ao normal?
Eles se encostaram na porta do quarto de Bento.
B: Me perdoa, meu amor. Por tudo que eu tive coragem de fazer, eu não sei o aconteceu comigo. Eu vou à um médico. Quero ser melhor pra você, e eu vou ser...
Ela invadiu seus lábios, com tanta vontade que as línguas as vezes escapavam da boca.
Abriram a porta e entraram.
Ainda no corredor, a Poesia que estava nas mãos do mordomo, caiu... Assim como a lágrima que ele insistia em segurar em seus olhos.
O quarto de Bento era completamente diferente do qual ela ficava.
Havia um cheiro de madeira um tanto forte, fotos da filha e até mesmo sua, decoravam o quarto inteiro.
Para espanto de Beatriz até flores haviam dentro daquele cômodo.
Os cabelos dele eram macios, e passear com as mãos por entre eles era gostoso.

Bento ergue a blusa que ela vestia, e encostou a boca em sua barriga, beijando calmamente o local, a barba arranhava sua pele, e ela apenas sentia aquela sensação.
Ela o puxou até a altura de sua boca.
Mais um beijo aconteceu, dessa vez com mais veracidade.
A perna já entrelaçada na cintura dele a puxava cada vez pra mais junto de seu corpo.
Ele a despiu com certa facilidade.
Será que Bento também não tivera ninguém durante todo esse tempo? Nenhuma amante lhe faz companhia as viagens que diz ser para o trabalho?
O toque e tudo ainda parecia como tanto tempo atrás já fora.
Apenas a roupa íntima restava em seu corpo, e Bento como sempre fazia... Gostava de puxá-las, da forma mais prática que conseguisse.
Ele percorreu com os dedos por seus braços, para enfim chegar até a alça do sutiã.
Mas quando tocou ...
Os pulsos ainda tinham as marcas das correntes que ficavam como companhia na antiga casa.
Ele as viu e o semblante mudou.
Como em um passe de mágica, tudo mudou. Ele levantou-se. E começou a vestir-se.
B: Bento? O que foi?
Benn: Está errado. Não.
B: O que está dizendo?
Benn: Não deve estar aqui.
As mãos estavam agitadas.
B: Bento, vamos recomeçar. Temos uma filha linda, não vamos jogar tudo... – interrompida –
Benn: Minha filha!
B: Sim, é. Mas...
Benn: Vista-se!
B: E pra onde foi toda a conversa de...
Benn: CHEGA! – gritando –
Beatriz não conseguia entender o que era tudo aquilo, Bento ficou estranho, parecia outro, completamente outro.
Ele estava prestes a sair do quarto, antes gritou pelo corredor chamando, Dan.
Não demorou muito até o mesmo aparecer em frente a porta.
Ela logo puxou um lençol e cobriu seu corpo, ainda estava com as peças intimas, o que Bento estava fazendo?
Benn: Ajude-a se vestir e a leve até aquele quarto.
Aquele? – pensou, Beatriz –
Dan: Como quiser, Senhor.
Bento bateu a porta do quarto ao sair.
B: Ei! Eu não preciso que me ajude a se vestir, sei muito bem fazer isso, eu sei...
As lagrimas começaram passear em seu rosto. Como poderia estar com tanta certeza de que ele mudaria? Que idiota!
Tudo continuava exatamente como antes, exatamente.
Nem mesmo quando estava acorrentada naquele quarto escuro, sentiu-se tão humilhada como a minutos atrás.
Enquanto os pensamentos fervilhavam em sua cabeça, as lágrimas não sessavam, e nisso, algo inesperado aconteceu.
Dan: Como quiser.
Ele não se moveu e isso incomodou, Beatriz.
Apenas a olhava, enquanto a mesma tentava de uma maneira discreta vestir-se sem que o mesmo conseguisse ver qualquer parte de seu corpo.
B: Porque me olha dessa maneira?

Dan: Porque te amo.

domingo, janeiro 17, 2016

Doce Poesia - 9º Episódio

B: Que isso, não é para tanto. Mordomo... (Rindo) Achei que isso nem existisse.
Ele continuava encarando-a, um leve sorriso esboçava em seu rosto.
- Desculpe-me, Senhora. Minha intensão não foi aborrecê-la, eu sinto muito.
Ao dizer isso, Dan abaixou-se em frente a ela, como uma reverencia.
Beatriz pensou por um momento que aquele homem talvez não tivesse um juízo perfeito.
B: Por favor, levante-se, não precisa fazer... (foi interrompida)
Ben: Dan!!! Venha até o meu escritório!
A voz de Bento era autoritária, e até um leve sobressalto o corpo de Dan esboçou ao ouvir seu nome.
Ele sequer parou para pensar, a encarou nos olhos e virou-se em direção ao escritório de Bento.
A porta fora trancada, pelo jeito Bento não queria que Beatriz soubesse o que andava ordenando aos empregados.
Andava lentamente pela grande sala, era tudo impecavelmente lindo, o cheiro da madeira do assoalho a deixava nas nuvens.
Pensava em como Bento pode esconder aquele lugar por tanto tempo.
E tudo indicava que ele vinha ali frequentemente, os objetos e a rotina da casa era familiar, e isso ao mesmo tempo que a fazia sentir-se em casa, a assustava, pois ultimamente, sentia aquele lugar como qualquer coisa, menos sua casa.
Resolveu então subir as escadas, ao tocar no corrimão, lembrou-se de horas atrás, quando acabou caindo por uma escada muito parecida com aquela.
Certo arrepio invadiu seu corpo ao pensar nisso.
Começou a subir, sequer sabia onde seria seu quarto, mas estava seguindo. Logo encontrou um corredor, em um deles já ouvia a pequena Ana Beatriz pulando e fazendo barulho em seu novo quarto, de certo deveria estar cheio de novidades da cidade grande, como Notebook, ou o tão sonhado Ipad, que Ana Beatriz empenhava-se constantemente em conseguir um do pai.
Ao fim do corredor, ela pode ver uma porta, a única que ficava de frente para o corredor, a porta era diferente das demais, parecia um tanto mais escura e com um aspecto antigo.
O impulso a fez tocar na maçaneta e iria abrir, se não fosse o fato da filha abrir a porta do quarto gritando.
O grito era ensurdecedor, e o corredor produzia um eco horrível.
B:Bia! Pelo amor de Deus, o que é isso? Que gritaria é essa?
A: Um bicho! Horrível, mãe. Chame o papai, ele vai tirá-lo daí.
B: Seu pai está no escritório conversando com o mordomo, deixe-me ver antes.
Beatriz entrou um tanto receosa no quarto da filha, afinal, era um território estranho, não sabia que tipo de animais costumavam aparecer naquela casa.
Ao entrar, percebeu que não se tratava de nada a mais e nada a menos que uma borboleta pousada em sua cama.
B: Bia, é só uma borboleta, e uma linda borboleta, não é pra tanto.
Nesse mesmo instante, Bento adentrou o quarto. Estava um tanto afoito.
Ben: O que foi filha?
A:Um bicho horrível, pai. (abraçando-o)
Bento logo seguiu em direção a cama da filha, olhou a colorida borboleta pousada sobre a mesma, e com apenas um tapa, a desmanchou por entre os dedos.
A frase de que “ não foi nada demais”, ficou presa na garganta de Beatriz;
B: O que está pensando?
Benn: Era um bicho, não vou deixar que minha filha tenha medo de ficar aqui por causa de um bicho.
Beatriz não ousou discutir, era inútil.
Benn: Dan!
Ela o olhou de canto, percebeu que ele estava ali desde o começo. Em silêncio, como se estivesse apenas aguardando as ordens de Bento.
Benn: Troque os lençóis da cama, ou melhor... Troque essa cama imediatamente. Mande as empregadas limparem todo o quarto novamente.
Ele abaixou a cabeça como já era de costume e completou.
Dan: Senhor o quarto foi limpo há uma hora e...
Benn: Está questionando minha ordem?
Dan: De maneira alguma, Senhor.
Benn: Assim espero, você não passa de um empregado, e nada mais. Que isso fique bem claro.
Beatriz queria intervir, mas sua posição não era lá grandes coisas.
A garota fingia um susto, soluçava forçadamente aos braços do pai.
A: Eu fiquei com tanto medo, papai.
Benn: Não precisa ter medo, filha. Papai sempre estará aqui pra te proteger. Agora o que quer que eu faça pra te ajudar a ficar melhor.
A: Eu queria sorvete.
Benn: Pois bem. O papai vai te levar pra tomar o maior e mais gostoso sorvete da cidade.
Ana Beatriz soltava gritinhos de alegria, e como em um passe de mágica, as lagrimas e o soluço sessaram.
Beatriz ficou sozinha no quarto, nem Bento e nem Ana cogitaram a possibilidade de leva-la ao passeio na cidade.
Estava cansada demais de tudo aquilo, agora essa mudança de cidade. Porque? Ao menos onde moravam havia a lembrança do tempo que foi feliz, feliz com sua mãe e feliz até mesmo com Bento.
Não era o homem com quem se casara. E sentia falta de sorrir, falta de ser feliz.
Deixou o quarto de Ana e voltou ao corredor, a porta que quase abrira minutos atrás parecia chama-la.
Ela aproximou-se novamente dela. As mãos tocaram a maçaneta, fechou os olhos para encarar o medo, e ao girar sentiu mesma trancada, antes de abrir os olhos, o tecido tocou em cima da sua mão.
Ela abriu os olhos e o viu, os olhos azuis a faziam perder-se nas horas ou lugar.
Era um toque gostoso, delicado, sentia –se bem. Tudo em um apto de segundo.
Beatriz puxou a mão.
Dan: Não deve entrar aí.
B: Porque?
Dan: Porque...
O mordomo levou as mãos até seu rosto, e deslizou de forma carinhosa. Beatriz fechou os olhos e sentiu aquele carinho.
Parecia sair desse mundo. Quem era aquele homem? Porque ela não conseguia ser autoritária com ele e perguntar como ele ousa tocá-la de tal maneira.
Porque sentia como se seus pés levitassem ao sentir o toque de suas mãos.
As palavras enfim formaram uma frase em sua boca, mas antes de dizê-la, foi interrompida.
Dan: Eu queria tanto te conhecer, queria tanto olhar nos seus olhos e dizer o quão lindo são eles.
B: O que...
Algumas empregadas apontaram no corredor, a nova cama e a faxina já foram providenciadas pelo Mordomo.
Ele sorriu pra ela e seguiu os demais empregados, certeza de que ia supervisionar o trabalho deles.
Agora olhou novamente a porta e a pergunta se formou em sua mente, o que poderia ter por detrás daquela porta? O porque ela não podia, ficou preso na garganta de Dan.
Saiu de perto da porta e seguiu para as demais, e enfim encontrou um quarto onde suas bagagens encontravam-se, ficou feliz em saber que a cama era de solteiro e que Bento não a obrigaria a deitar-se com ele.
-
A tarde passou rapidamente, e antes mesmo que pudesse pensar em o que mais poderia explorar naquele casarão, Beatriz ouviu o barulho do carro de Bento chegando e em seguida os gritos de alegria de Ana Beatriz.
Ela apontou nas escadas, Ana gritava de alegria. Não poderia ser só pelo sorvete que foram tomar.
B: O que foi que aconteceu, filha?
A: Olha, mãe. Eu ganhei do papai.
Logo Beatriz entendeu, o Ipad que tanto ela queria, estava nítido que não demoraria muito, Bento sempre faz o que ela quer.
Beatriz apenas sorriu forçadamente como se aprovasse tal presente e continuou a descer as escadas.
Procurava encontrar o mordomo, queria fazer-lhe algumas perguntas. Talvez pudesse saber o que Bento fazia naquela casa, o porquê decidiu morar aqui com a família.
-
Ela atravessou a sala com a inocência de que poderia passar ao outro cômodo despercebida ou não questionada por Bento.
Benn: Onde está indo, Beatriz?
B: Vou à cozinha, quero ter certeza de que o jantar sairá bem.
Benn: Os empregados cuidam disso.
B:Bento, não podemos deixar tudo nas mãos dos empregados, não acha?
Ela continuou andando em direção a cozinha.
Benn: Eu já disse que os empregados cuidam disso, Beatriz.
A mesma parou onde estava, não tinha mais argumentos para continuar, na verdade nunca teve.
Benn: Não quero você perto dos empregados, eu dito as regras, eles obedecem, qualquer mudança reporte a mim, e eu mudarei as regras. Faça o que eu mando, ou terá problemas.
Como sempre, apenas virou-se em direção a escada e começou a subi-las, o mais estranho de tudo isso, é que sua filha nunca questionava o pai, nunca entrou no meio de uma briga ou discussão.
Era criança mas é claro que já ouviu o pai humilhar a mãe, os choros de Beatriz eram inconfundíveis através das paredes da casa.
E mesmo assim nenhuma pergunta era feita ao pai.
Voltou ao quarto e respirou fundo, nada mudaria. Tudo continuaria exatamente como sempre foi.
-
Naquela noite, Bento resolveu não perturbar Beatriz.
Era uma cidade linda e provavelmente cheia de prazeres para um homem como ele, deveria estar satisfeito.
Estranhou o fato de não estar amarrada e nem trancada naquela casa, o que poderia ser diferente ali? Será que por ser uma casa afastada da cidade de nada adiantaria fugir? Correria e correria pelos campos a sua volta e não chegaria a lugar nenhum?
Ou Bento apenas estará dando sorte para o azar.
Já era madrugada e Beatriz ainda não conseguira dormir.
Mesmo no escuro continuava com os olhos fixados no teto. A casa era antiga demais, Bento deveria ter gasto muito dinheiro para reforma-la. Mas algumas coisas ainda se notada.
Como a alguns riscos no assoalho de madeira, alguns eram bem grossos.
Ela se levantou, queria saber que segredos eram escondidos naquela casa.
Talvez Bento nunca ficasse sabendo que saíra naquela madrugada para explorar a casa, Rubens ó fiel escudeiro de Bento já não existe mais para privá-la.
Aproximou-se da porta e ao fechar os olhos e contrair a boca, girou lentamente a maçaneta.
Levemente puxou a porta que infelizmente ainda tinha as dobradiças um tanto enferrujada, e mesmo que devagar, ecoou certo barulho no silencio daqueles corredores.
Apontou a cabeça no corredor e certificando-se de que não havia nada e nem ninguém, ela arriscou o primeiro passo.
E logo algo chamou sua atenção. A pequena fresta por debaixo da porta misteriosa estava acesa, alguém estava lá. Seria Bento?
O primeiro impulso de voltar para o seu quarto antes que alguém a pegasse ali, passou rapidamente.
Era curiosa demais, aproximou-se em passos silenciosos, os pés descalços a ajudavam no silencio.
Enfim em frente a porta, suava, o coração palpitava freneticamente, parecia que a certa hora sairia pela boca.
Estava com medo, mas muito curiosa ao mesmo tempo, a adrenalina de saber que não poderia ser pega a fazia sorrir de leve.

_ O que está fazendo aqui?

domingo, fevereiro 14, 2016

Doce Poesia - 11º Episódio

Aquilo deixou Beatriz intacta.
Oque? Será que ouvira direito?
B: O que foi que disse?
Não conseguia sequer continuar fazendo o que fazia.
Dan: Que te amo – aproximando-se –
B: Só pode estar louco.
Dan: Pode chamar como achar melhor... – sorrindo –
B: Saia daqui.
Dan: Não posso.
B:Estou mandando.
Dan: Estou cumprindo uma ordem.
B: E eu estou te dando outra.
Dan: Não cumpro ordens onde me obriga a sair de perto de você.
B: Não quero te olhar! Não quero!
Dan: Pois não, feche os olhos e te visto exatamente como estava.
B: Não brinque comigo!
Dan: Não estou brincando.
B: Esta querendo me confundir. Eu ouvi quando Bento disse para me levar “aquele quarto” que quarto é esse?
Dan: Um quarto provisório.
B: Provisório?
Dan: Sim.
B: Vai me prender.
Dan: Não da maneira que eu queria.
B: Eu não te entendo...
Ele sentou-se na cama e segurou delicadamente seu queixo.
Dan: Queria poder te prender em meus braços, e tirá-la deles apenas quando tivesse que segurar nosso filho.
A Boca queria retrucar e dizer o quanto tudo isso que estava ouvindo era absurdo, mas não. Apenas continuava hipnotizada naqueles olhos, que aproximavam-se cada vez mais perto dos seus.
Um beijo... O coração acelerava muito a cada centímetro mais próximo.
Mesmo assim ela não recuava. O que estava acontecendo?
O que pensava que estava fazendo?
Os lábios estavam próximos, o perigoso beijo aconteceria.
A porta abriu bruscamente interrompendo o momento.
Era uma empregada apressada, pensou que o quarto estava vazio.
Dan: Já disse que não se deve entrar dessa maneira nos quartos, principalmente esse.
_: Me desculpe Senhor, prometo que isso não... – interrompida –
Beatriz ainda estava alheia a qualquer coisa que diziam.
A empregada fechou a porta e Dan a olhou, estava um tanto corada e isso o fez sorrir discretamente.
B: Eu... Preciso me vestir, pode ao menos virar-se já que não “pode” sair?
Dan: Claro.
Ele virou-se e ela começou a vestir-se, o nariz ainda vermelho e os olhos marejados.
As lagrimas insistiam em ficar, e tudo o que ouvira ali estava fazendo um estrago em seus pensamentos.
Estava vestida e pronta... Pronta para qualquer que fosse o desafio que Deus estava lhe propondo.
Ele aproximou-se dela e segurando seu queixo, disse:
Dan: Isso tudo, vai acabar. Eu prometo.
Ela o encarou e completou:
B: Eu não acredito em você, e ninguém.
Ele sorriu novamente.
Dan: Está certa, porque acreditaria em mim? Sou apenas o mordomo de uma vida que acabou de conhecer.
Agora vamos, antes que seu marido queira apressar-nos, e não gosto disso.
Ele segurou em suas mãos, mesmo com o tecido um tanto grosso das luvas, podia sentir que as mãos dele estavam aquecidas;
Ela não tinha medo, sabia o que a esperava. Tinha algo com aquele quarto no corredor, algo a chamava para ele e era lá que estava indo.
Estavam no corredor, mesmo com um tanto de receio, ela não tentava fugir ou impedir de chegar aquele lugar.
Beatriz via a porta, estava bem a sua frente, há poucos metros...
Os passos não diminuíram, estavam aproximando-se, o coração de Beatriz palpitava ainda mais forte, cada vez mais perto e seu coração batendo mais rápido.
Enfim chegaram em frente a ele, mas Dan a surpreendeu, em uma parte da parede ele puxou uma alavanca, onde uma porta abriu-se anunciando a escadaria que nela continha.
Estava um tanto escuro, e quando ele ameaçou entrar, ela parou.
B: Por favor, não seja como ele...
Dan a puxou para dentro e fechou a porta, ainda escuro, ela sentia-se amedrontada. A respiração ofegava, mas ela ainda o sentia segurar seus braços.
Ele segurou o outro braço e levou junto ao seu próprio peito, Beatriz sentia seu coração com as mãos...
Dan: Shi... Fique calma. Está sentindo?
Ela não conseguia dizer nada.
Dan: Beatriz?
B: Eu não...
Dan: Está sentindo?
B: Sim... – a voz tremula –
Dan: Ele bate assim porque tem medo.
Ela ficou um tanto mais apavorada, se até ele tinha medo do lugar, como ela poderia não ter?
B: Medo...
Dan: Medo de não te ter assim tão pertinho de mim novamente.
A Luz acendeu, mostrando mais uma vez a Dan, o quanto Beatriz ficava nervosa com a sua aproximação.

segunda-feira, fevereiro 01, 2016

Doce Poesia - 10º Episodio

Pensou que morreria, o frio invadiu todo o seu corpo, como se estivesse afundando em um mar coberto de gelo, o arrepio era indescritível.
Era Bento!
B:Não, por favor eu... – virando-se –
Em sua cabeça viraria e correria o mais rápido que pudesse para dentro de seu quarto e só depois pensaria em algo.
Não queria sofrer, não mais aquela noite.
Ao virar-se os braços ficaram parados sobre seu peito.
D: Shiii... – docemente –
Ele sorriu docemente e completou:
D: Não quer que te ouçam, não é?
Beatriz não saberia dizer quando foi que o mordomo colocou as mãos sobre a sua, as segurava como se estivesse protegendo-as.
B: Eu preciso voltar para o meu quarto.
D: Precisa sim... – ainda sorrindo –
O mordomo estava “desmontado”, vestia uma calça confortável de algodão e uma camiseta branca de malha.
Estava confortavelmente a vontade.
O cabelo desgrenhado e um caderno nas mãos.
Era como se fosse hipnotizada.
Chacoalhou a cabeça e soltando-se das mãos protetoras dele, ela seguiu apressadamente até seu quarto.
Ao entrar nele, ela fechou a porta cuidadosamente e encostou-se nela, deixando sair por entre os lábios o mais profundo dos suspiros.
Dan aproximou-se da tal porta que tanto Beatriz tem curiosidade em abrir, respirou fundo e ao colocar uma das mãos no bolso da calça, retirou a chave, colocou na fechadura e girou abrindo o cômodo.
Fechou a porta e encostou-se na mesma, ficando de frente para o que mais amava.
-
A noite não melhorou em nada para Beatriz, passou grande parte da madrugada contemplando a escuridão do quarto e nada do sono chegar.
Naquela manhã, os olhos de Beatriz amanheceram inchados, não dormira a noite e inteira e tal coisa logo foi percebida por Bento.
Na enorme mesa posta para o café da manhã, Beatriz e Ana aguardavam Bento para prosseguirem com o café.
Assim que ele chegou e sentou-se na mesa, lá estava, Dan... Posto ao lado de Bento como um guarda olhando firmemente o trabalho das empregadas.
Beatriz pode perceber que somente com o olhar e um discreto gesto com a mão direita, ele chamou a atenção de uma mocinha que iria servi-la do lado errado.
Ela não conseguia parar de olhá-lo, ele era misterioso, e isso aguçava em Beatriz uma curiosidade perigosa.
Tinha certeza que ele tinha muitas respostas para ela sobre aquela casa, sobre Bento ou até mesmo o que ele andava planejando. Mas será que o tal Mordomo contaria a ela? Mal se conhecem...
Tais pensamentos iam longe, e as tantas probabilidades iam e vinham na cabeça dela com a facilidade de um balanço de parque.
Todos aqueles pensamentos intrigantes foram dispersos ao ouvir Bento chamando-a. Foi como se estivesse acordado naquela hora.
Olhou para a filha, a mesma já comia as panquecas que a senhora cozinheira preparou com frutas frescas logo pela manhã e logo lançou seu olhar para a direção de Bento, tanto ele quanto o tal Mordomo Dann a encarava.
B: O que foi?
Benn: O que fez ontem a noite?
A voz ficou preza, o nervosismo deveria ser contido. Olhou disfarçadamente para Dan que estava estranhamente tranquilo.
Ela tentava formular algo para dizer, estava com medo. Será que o mordomo disse a ele?
Benn: FALA! – alto –
B: Não fiz nada.
Bento então a retrucou.
Benn: Nada?
B: Já disse... Nada.
Benn: E porque esses olhos inchados? De chorar é que não foi, te trato como uma Rainha, não tens motivo pra chorar.
B: Eu só estranhei a nova casa, não consegui dormir muito bem.
Benn: Claro, também demorei um pouco pra pegar no sono, mas logo você se acostumará. Afinal, viveremos aqui por muito tempo, muito tempo mesmo.
Ela abaixou a cabeça e começou a se servir, faz tempo que não comia feito gente, na mesa, com a filha.
Antes que pudesse saborear qualquer uma das delicias de que se servira, Bento a chamou novamente.
Benn: Beatriz!!
B: O que foi?
Benn: Vai passar uma maquiagem nesse rosto, não quero olhar pra você desse jeito. E vai agora!


B: Claro... – levantando-se –
Timidamente passou por Dan em direção ao banheiro. Não bateu a porta, olhou para o espelho acima da pia e abriu sem paciência alguma uma das gavetas da pia.
O Estojo de maquiagem que tinha, estava esperando-a ali. Parece que Bento sempre tem tudo planejado.
Assim que puxou o estojo viu abaixo dele as lâminas... Pareciam a chamar, como um feitiço... Como quando as Rocas de afiar da Bela Adormecida a chamaram no dia em que completara seus quinze anos.
O brilho delas, não deixavam dúvidas de que precisaria apena um único risco e estaria tudo acabado.
Pegou cuidadosamente em suas mãos, lentamente passou o polegar em uma delas, um filete de sangue logo aparecer.
Olhou-se no espelho, os olhos ainda inchados.
Já não se reconhecera, quem era essa mulher? Estava irreconhecível.
B: A feliz Beatriz Miriolli assinou sua morte no dia em que Ana Beatriz Cordeiro nasceu, Bento vem matando-a todos os dias.
E se eu não for quem eu sempre fui, não quero continuar mais nesse mundo.
Colocou a lâmina no pulso, fechou os olhos e com toda a coragem que deveria ter, começou a pressioná-la lentamente.
O corte em seu pulso não chegou a ser feito, foi pega em flagrante.
Dan: Por favor, não faça isso.
A voz era calma.
Beatriz virou-se para ele, a porta estava fechada e sequer ouviu o mesmo fechá-la.
As mãos estavam trêmulas ao ver o mordomo a sua frente com os olhos marejados.
Ele pegou a mão dela que segurava a lâmina, o sangue escorria pelo dedo polegar manchando o tecido branco das luvas de Dan.
Ele direcionou a lâmina ainda nas mãos de Beatriz para seu próprio pulso.
D: Se tem coragem para fazer algo dessa maneira, mate-me antes.
B: Oque? – assustada –
D:Não suportaria viver em um mundo sem você, Senhora Beatriz. Mate-me!
B: Não! Está maluco?
Ela soltou a lâmina no chão.
Dan a pegou e colocando-a sobre o pulso novamente, disse:
D: Então deixe-me que o faça.
B: Não! Pare com isso.
Ela segurou seu rosto.
B: O que pensa que está fazendo?
D: Por favor... Eu não suportaria.
B: Quem é você?
Ambos encaravam-se, o silêncio pairava.
Logo a estrondosa voz de Bento pode ser ouvida, ele chamava o mordomo.
Ele puxou delicadamente uma das mãos de Beatriz, e após um carinhoso beijo na mesma, virou-se saindo o mais depressa daquele banheiro.
Beatriz não soube explicar, só sabia que não poderia matar alguém, e pelo jeito o tal mordomo não estava blefando.
Olhou novamente para o espelho.
Antes de abrir o estojo de maquiagem, lembrou-se do corte em seu polegar, procurou nas demais gavetas até encontrar um pequeno curativo autocolante.
Fez rapidamente uma leve maquiagem e voltou a mesa.
Ela percebeu durante o café que as luvas que o mordomo usava, agora eram outras, mas para seu alivio, Bento pelo jeito não percebera o discreto detalhe.
Ben: Está bem melhor assim.
Beatriz apenas abaixou a cabeça, desconfortavelmente.
O acabara de acontecer naquele banheiro, ainda revirava em sua cabeça.
Será que o mordomo realmente morreria por ela?
Mas porquê? Nem o conhecia! Será que era algum maluco?
A manhã passou rápida, para Beatriz tanto fazia, era proibida de sair de casa, na verdade, em sua antiga casa não podia sai nem do quarto.
O porque ela pode andar livremente naquela casa, ainda é um mistério para ela.
Bento saiu logo depois do café da manhã, levou Ana a nova escola e em seguida seguiu para o Trabalho, não demorou muito até Beatriz saber que Bento tinha a Fabrica das joias naquela cidade.
Mas ela estava solta, porque?
Ela foi até a cozinha, os empregados eram estranhamente quietos, não poderiam ser assim ao natural, isso era uma das ordens de Bento.
O Mordomo a intrigava, era o mais misterioso, o pegava encarando-a a todo o tempo, chegava a assustá-la.
Ela arriscou uma conversa.
B: Olá... – sorrindo timidamente –
O silêncio continuou contemplando o lugar.
B: O que teremos para o almoço de hoje?
Uma empregada a respondeu um tanto apressada, como se quisesse que Beatriz não demorasse muito mais ali.
_ Cordeiro ao molho branco, Senhora.
B: Parece-me delicioso.
Novamente tudo ficou quieto e mesmo assim, Beatriz não intimidou-se.
B: Não é cedo demais para começar a preparar o almoço? Acabamos de terminar o café da manhã.
_ Senhor Bento gosta de tudo pronto com antecedência.
B: Claro que gosta. – baixo –
Já não tinha mais o que dizer para começar uma conversa, era realmente muito bem treinados, ao virar-se, esbarrou nele.
B: Oh, meu Deus. Perdoe-me... eu – interrompida –
D: Desculpe-se, sou um descuidado, a machuquei? Quer algo? Os empregados não te agradam? O Almoço está de seu agrado? Se quiser podemos trocar tudo e – interrompido –
B: Por favor, acalme-se. Tudo está perfeitamente bem. Não se preocupe comigo.
D: Sempre me preocuparei com a Senhora. Não me peça uma coisa dessas, eu não a cumprirei.
Ela ficou sem resposta, sempre ficava, Dan as roubavam de sua boca a cada frase dita.
B: Gostaria de conhecer a cidade, talvez se...
D: Não.
Beatriz ficou em silêncio.
D: Não seria uma boa ideia, Senhora.
Ela virou-se sem ao menos responde-lo. O não que ouviu deles, ela não sabe o porquê, mas a deixou profundamente irritada, a vontade que teve foi de gritar com ele. Mas não podia, não deveria.
Os passos dela eram apressados, mal percebeu que já estava no jardim.
Olhou para o céu, mil perguntas passavam por sua cabeça e sem nenhuma resposta.
B: Eu quero viver... Eu quero...
Tais palavras ainda dançavam em sua mente.
As mãos eram diferentes, o pano provocou certo arrepio em seus braços.
D: Você vai viver, Beatriz.
A Respiração ficou presa, o coração disparou.
Era o Mordomo.
Como sabia que dentro de sua cabeça tal pensamento rodava.
Assim que o breve momento de transe passou, ela virou-se de frente para ele e bravejou:
B: Quem pensa que é? O que pensa que está dizendo? Não sabe nada da minha vida, nada sobre mim. Não sabe o que passei e o porquê estou aqui. Não me toque! Nunca mais! Não tem esse direito.
D: Eu sei tudo sobre você. E estou te afirmando que irá viver. Confie em mim.
B: Não te conheço, como posso confiar em você?
D: Eu daria a minha vida pela sua.
B: Porque não me diz logo de onde me conhece? Porque está aqui? Porque diz essas coisas?
D: Nem tudo precisa de uma explicação, Senhora Beatriz.
Ele aproximou-se dela e passou uma das mãos delicadamente por seu rosto e disse sussurrando em seu ouvido;
D: Não te tocar, nunca mais? – rindo – Um dia, irá rir disso assim como eu.
Beatriz sentiu o corpo todo tremer, nunca chegara tão próximo de outro homem daquela maneira.
E para seu desespero, a sensação foi maravilhosa.
Dan sentia uma vontade imensa de fazer o que sempre teve vontade, o que sempre ficou preso no seu mais profundo sentimento.
B: O que sabe sobre meu marido? O que sabe sobre essa família? Desde quando trabalha com ele? Porque?
Ele riu novamente.
D: Essa sua curiosidade é engraçada. Você sabe apenas o que precisa saber, Senhora Beatriz.
B: Por favor, tire o Senhora.
D: Beatriz... Gosto assim. – sorrindo –
Ele virou-se para deixar o lugar, mas antes certificou que a deixaria bem.
D: Precisa de algo?
B: Não.
D: Se precisar, sabe que pode me chamar a hora que for, que eu estarei disposto pra você.
B: Me lembrarei disso, Dan.
Ele sorriu e estava deixando o lugar, mas antes voltou de frente para ela e perguntou ousadamente.
D: Gosta de Poesias, Beatriz?
B: Eu costumava a amar poesias.
D Costumava?
B: Sim, hoje já não as leio mais e já não me encanta como antes.
D: Pois se apaixonará novamente! Eu prometo a você.
Como podia ser empregado de um homem como Bento e sorrir tanto assim?
Era doce, e o seu sorriso a acalmava.
O que será que ele quis dizer?
Poesias... Como amava recebe-las.
-
O casarão era enorme, e ela queria mais era saber o que era cada cômodo daquele lugar.
Deu a volta pela casa, o jardim era apenas até certo ponto, logo a grama ia desaparecendo e dando lugar a um orvalho úmido, a terra tão escura que parecia preta.
As arvores em torno começavam a se fechar, como que se protegessem o local.
Parecia uma casinha daquelas que guardam ferramentas, uma corrente passava pela porta, anunciando que ali, ninguém entrara tão recente.
Ela colocou a mão no cadeado e logo um calafrio percorreu todo o seu corpo.
Resolveu sair dali antes que um dos empregados acabasse sendo um conveniente solicito e informasse ao seu Marido sobre seu passeio em uma área um tanto estranha naquela casa.
-
O que faria todo o dia dentro daquela casa? Não podia sair, não conhecia nada e sequer com os empregados podia falar.
Durante toda a tarde, Beatriz não viu mais o Mordomo, e isso a deixou incomodada.
O observava de longe, quieta. Uma distração! Quem sabe não o pegava fazendo algo que lhe desse algumas respostas as tantas perguntas em sua cabeça?
Não tinha nada a perder, e tempo era o que ela mais tinha depois que se mudou pra essa casa.
-
Bento deu a alegria de sua presença ao fim da tarde, a filha mal falava com ela, e assim que entrou na casa junto com o pai, correu para o quarto... Os eletrônicos da Cidade já haviam tomado os poucos minutos de atenção que Ana Beatriz dedicava a mãe.
A: Pai, me chama quando o jantar estiver pronto. – gritou subindo as escadas –
B: Mal falou comigo.
Benn: Ela nem falou.
Ela o olhava, e pensava o quanto poderia estar feliz agora, o quanto o amou... ou ainda ama.
Os pensamentos estavam deixando-a estranha.
No impulso, uma de suas mãos alcançou o rosto de Bento, ele tinha a cara fechada, a expressão de bravo era quase que comum nos últimos anos.
Ela deslizou pela face e consequentemente pela barba.
Benn: O que é isso?
B: Quando foi que as coisas ficaram assim?
Benn: Você mudou!
B:Eu? Só eu? Eu me tornei uma mulher! E você um...
Benn: Um oque?
B: Eu só queria saber o porquê.
Benn: Eu sempre fui assim.
B: Não! – gritando –
Benn: O que quer?! – segurando-a pelos braços –
A Voz abaixou e ficou suave ao pronunciar tais palavras;
B: Amar de novo, te amar como antes, me sentir amada como no início de tudo.
Ele estava intacto, os olhos vidrados pra ela, como pode sentir sequer algum sentimento por ele, mesmo depois de tudo o que ele fez a ela nesses últimos tempos.
Benn: Eu...
Ele a puxou para seus braços. Os lábios invadiram os dela numa perfeita sincronia.
O corpo dela por um tempo ainda ficou tenso, há muito tempo não era amada por Bento, sequer era tocada por ele com carinho.
Aliás ele a tocava para machucá-la, e fez isso por muito tempo.
Mas eram muitos anos.
Ela não queria pensar em nada do que passou, e sim no agora. Agora ela queria matar a saudade de ter o marido.
Agora...
Bento tinha um turbilhão de emoções dentro de seu peito. O que fez com Beatriz? Como pudera se esquecer de todo aquele amor?
A abraçou forte enquanto a beijava.
Isso fez com que Beatriz se desmanchasse por entre seus braços.
Benn: Eu te amo, meu amor. Ainda te amo como antes, me perdoa, me perdoa.
Ele a enchia de beijos por todo o rosto, o gosto salgado ao beijá-la anunciou algo que Bento jamais gostava de que vissem... Lágrimas... Talvez as mais sinceras que pudera ver.
B: Bento...
Ela estava impressionada, acho que nem nos seus maiores sonhos ela imaginou tal situação.
O Beijo centralizou, e em meio a eles subiram as escadas em direção aos quartos.
Chegaram ao corredor, Bento queria ser rápido, não podia deixar que Ana visse algo tão improprio àquela hora da tarde.
Ainda no corredor Bento a prensou contra a parede, beijando seu pescoço e percorrendo até seu colo.
O desejo estava espalhado por todo o corpo de Beatriz.
O toque em seus cabelos já a deixavam excitada.
As pernas amoleceram quando ele tocou com os lábios um de seus seios, o corpo prensado na parede contra o dele anunciavam que o desejo era reciproco.
Como estava saudosa de tal situação, trazia maravilhosas recordações, o coração palpitava diferente anunciando que ainda existia algo por Bento, apesar de tudo o que aconteceu.
Será que era esse o destino? A reconciliação para que tudo voltasse ao normal?
Eles se encostaram na porta do quarto de Bento.
B: Me perdoa, meu amor. Por tudo que eu tive coragem de fazer, eu não sei o aconteceu comigo. Eu vou à um médico. Quero ser melhor pra você, e eu vou ser...
Ela invadiu seus lábios, com tanta vontade que as línguas as vezes escapavam da boca.
Abriram a porta e entraram.
Ainda no corredor, a Poesia que estava nas mãos do mordomo, caiu... Assim como a lágrima que ele insistia em segurar em seus olhos.
O quarto de Bento era completamente diferente do qual ela ficava.
Havia um cheiro de madeira um tanto forte, fotos da filha e até mesmo sua, decoravam o quarto inteiro.
Para espanto de Beatriz até flores haviam dentro daquele cômodo.
Os cabelos dele eram macios, e passear com as mãos por entre eles era gostoso.

Bento ergue a blusa que ela vestia, e encostou a boca em sua barriga, beijando calmamente o local, a barba arranhava sua pele, e ela apenas sentia aquela sensação.
Ela o puxou até a altura de sua boca.
Mais um beijo aconteceu, dessa vez com mais veracidade.
A perna já entrelaçada na cintura dele a puxava cada vez pra mais junto de seu corpo.
Ele a despiu com certa facilidade.
Será que Bento também não tivera ninguém durante todo esse tempo? Nenhuma amante lhe faz companhia as viagens que diz ser para o trabalho?
O toque e tudo ainda parecia como tanto tempo atrás já fora.
Apenas a roupa íntima restava em seu corpo, e Bento como sempre fazia... Gostava de puxá-las, da forma mais prática que conseguisse.
Ele percorreu com os dedos por seus braços, para enfim chegar até a alça do sutiã.
Mas quando tocou ...
Os pulsos ainda tinham as marcas das correntes que ficavam como companhia na antiga casa.
Ele as viu e o semblante mudou.
Como em um passe de mágica, tudo mudou. Ele levantou-se. E começou a vestir-se.
B: Bento? O que foi?
Benn: Está errado. Não.
B: O que está dizendo?
Benn: Não deve estar aqui.
As mãos estavam agitadas.
B: Bento, vamos recomeçar. Temos uma filha linda, não vamos jogar tudo... – interrompida –
Benn: Minha filha!
B: Sim, é. Mas...
Benn: Vista-se!
B: E pra onde foi toda a conversa de...
Benn: CHEGA! – gritando –
Beatriz não conseguia entender o que era tudo aquilo, Bento ficou estranho, parecia outro, completamente outro.
Ele estava prestes a sair do quarto, antes gritou pelo corredor chamando, Dan.
Não demorou muito até o mesmo aparecer em frente a porta.
Ela logo puxou um lençol e cobriu seu corpo, ainda estava com as peças intimas, o que Bento estava fazendo?
Benn: Ajude-a se vestir e a leve até aquele quarto.
Aquele? – pensou, Beatriz –
Dan: Como quiser, Senhor.
Bento bateu a porta do quarto ao sair.
B: Ei! Eu não preciso que me ajude a se vestir, sei muito bem fazer isso, eu sei...
As lagrimas começaram passear em seu rosto. Como poderia estar com tanta certeza de que ele mudaria? Que idiota!
Tudo continuava exatamente como antes, exatamente.
Nem mesmo quando estava acorrentada naquele quarto escuro, sentiu-se tão humilhada como a minutos atrás.
Enquanto os pensamentos fervilhavam em sua cabeça, as lágrimas não sessavam, e nisso, algo inesperado aconteceu.
Dan: Como quiser.
Ele não se moveu e isso incomodou, Beatriz.
Apenas a olhava, enquanto a mesma tentava de uma maneira discreta vestir-se sem que o mesmo conseguisse ver qualquer parte de seu corpo.
B: Porque me olha dessa maneira?

Dan: Porque te amo.

domingo, janeiro 17, 2016

Doce Poesia - 9º Episódio

B: Que isso, não é para tanto. Mordomo... (Rindo) Achei que isso nem existisse.
Ele continuava encarando-a, um leve sorriso esboçava em seu rosto.
- Desculpe-me, Senhora. Minha intensão não foi aborrecê-la, eu sinto muito.
Ao dizer isso, Dan abaixou-se em frente a ela, como uma reverencia.
Beatriz pensou por um momento que aquele homem talvez não tivesse um juízo perfeito.
B: Por favor, levante-se, não precisa fazer... (foi interrompida)
Ben: Dan!!! Venha até o meu escritório!
A voz de Bento era autoritária, e até um leve sobressalto o corpo de Dan esboçou ao ouvir seu nome.
Ele sequer parou para pensar, a encarou nos olhos e virou-se em direção ao escritório de Bento.
A porta fora trancada, pelo jeito Bento não queria que Beatriz soubesse o que andava ordenando aos empregados.
Andava lentamente pela grande sala, era tudo impecavelmente lindo, o cheiro da madeira do assoalho a deixava nas nuvens.
Pensava em como Bento pode esconder aquele lugar por tanto tempo.
E tudo indicava que ele vinha ali frequentemente, os objetos e a rotina da casa era familiar, e isso ao mesmo tempo que a fazia sentir-se em casa, a assustava, pois ultimamente, sentia aquele lugar como qualquer coisa, menos sua casa.
Resolveu então subir as escadas, ao tocar no corrimão, lembrou-se de horas atrás, quando acabou caindo por uma escada muito parecida com aquela.
Certo arrepio invadiu seu corpo ao pensar nisso.
Começou a subir, sequer sabia onde seria seu quarto, mas estava seguindo. Logo encontrou um corredor, em um deles já ouvia a pequena Ana Beatriz pulando e fazendo barulho em seu novo quarto, de certo deveria estar cheio de novidades da cidade grande, como Notebook, ou o tão sonhado Ipad, que Ana Beatriz empenhava-se constantemente em conseguir um do pai.
Ao fim do corredor, ela pode ver uma porta, a única que ficava de frente para o corredor, a porta era diferente das demais, parecia um tanto mais escura e com um aspecto antigo.
O impulso a fez tocar na maçaneta e iria abrir, se não fosse o fato da filha abrir a porta do quarto gritando.
O grito era ensurdecedor, e o corredor produzia um eco horrível.
B:Bia! Pelo amor de Deus, o que é isso? Que gritaria é essa?
A: Um bicho! Horrível, mãe. Chame o papai, ele vai tirá-lo daí.
B: Seu pai está no escritório conversando com o mordomo, deixe-me ver antes.
Beatriz entrou um tanto receosa no quarto da filha, afinal, era um território estranho, não sabia que tipo de animais costumavam aparecer naquela casa.
Ao entrar, percebeu que não se tratava de nada a mais e nada a menos que uma borboleta pousada em sua cama.
B: Bia, é só uma borboleta, e uma linda borboleta, não é pra tanto.
Nesse mesmo instante, Bento adentrou o quarto. Estava um tanto afoito.
Ben: O que foi filha?
A:Um bicho horrível, pai. (abraçando-o)
Bento logo seguiu em direção a cama da filha, olhou a colorida borboleta pousada sobre a mesma, e com apenas um tapa, a desmanchou por entre os dedos.
A frase de que “ não foi nada demais”, ficou presa na garganta de Beatriz;
B: O que está pensando?
Benn: Era um bicho, não vou deixar que minha filha tenha medo de ficar aqui por causa de um bicho.
Beatriz não ousou discutir, era inútil.
Benn: Dan!
Ela o olhou de canto, percebeu que ele estava ali desde o começo. Em silêncio, como se estivesse apenas aguardando as ordens de Bento.
Benn: Troque os lençóis da cama, ou melhor... Troque essa cama imediatamente. Mande as empregadas limparem todo o quarto novamente.
Ele abaixou a cabeça como já era de costume e completou.
Dan: Senhor o quarto foi limpo há uma hora e...
Benn: Está questionando minha ordem?
Dan: De maneira alguma, Senhor.
Benn: Assim espero, você não passa de um empregado, e nada mais. Que isso fique bem claro.
Beatriz queria intervir, mas sua posição não era lá grandes coisas.
A garota fingia um susto, soluçava forçadamente aos braços do pai.
A: Eu fiquei com tanto medo, papai.
Benn: Não precisa ter medo, filha. Papai sempre estará aqui pra te proteger. Agora o que quer que eu faça pra te ajudar a ficar melhor.
A: Eu queria sorvete.
Benn: Pois bem. O papai vai te levar pra tomar o maior e mais gostoso sorvete da cidade.
Ana Beatriz soltava gritinhos de alegria, e como em um passe de mágica, as lagrimas e o soluço sessaram.
Beatriz ficou sozinha no quarto, nem Bento e nem Ana cogitaram a possibilidade de leva-la ao passeio na cidade.
Estava cansada demais de tudo aquilo, agora essa mudança de cidade. Porque? Ao menos onde moravam havia a lembrança do tempo que foi feliz, feliz com sua mãe e feliz até mesmo com Bento.
Não era o homem com quem se casara. E sentia falta de sorrir, falta de ser feliz.
Deixou o quarto de Ana e voltou ao corredor, a porta que quase abrira minutos atrás parecia chama-la.
Ela aproximou-se novamente dela. As mãos tocaram a maçaneta, fechou os olhos para encarar o medo, e ao girar sentiu mesma trancada, antes de abrir os olhos, o tecido tocou em cima da sua mão.
Ela abriu os olhos e o viu, os olhos azuis a faziam perder-se nas horas ou lugar.
Era um toque gostoso, delicado, sentia –se bem. Tudo em um apto de segundo.
Beatriz puxou a mão.
Dan: Não deve entrar aí.
B: Porque?
Dan: Porque...
O mordomo levou as mãos até seu rosto, e deslizou de forma carinhosa. Beatriz fechou os olhos e sentiu aquele carinho.
Parecia sair desse mundo. Quem era aquele homem? Porque ela não conseguia ser autoritária com ele e perguntar como ele ousa tocá-la de tal maneira.
Porque sentia como se seus pés levitassem ao sentir o toque de suas mãos.
As palavras enfim formaram uma frase em sua boca, mas antes de dizê-la, foi interrompida.
Dan: Eu queria tanto te conhecer, queria tanto olhar nos seus olhos e dizer o quão lindo são eles.
B: O que...
Algumas empregadas apontaram no corredor, a nova cama e a faxina já foram providenciadas pelo Mordomo.
Ele sorriu pra ela e seguiu os demais empregados, certeza de que ia supervisionar o trabalho deles.
Agora olhou novamente a porta e a pergunta se formou em sua mente, o que poderia ter por detrás daquela porta? O porque ela não podia, ficou preso na garganta de Dan.
Saiu de perto da porta e seguiu para as demais, e enfim encontrou um quarto onde suas bagagens encontravam-se, ficou feliz em saber que a cama era de solteiro e que Bento não a obrigaria a deitar-se com ele.
-
A tarde passou rapidamente, e antes mesmo que pudesse pensar em o que mais poderia explorar naquele casarão, Beatriz ouviu o barulho do carro de Bento chegando e em seguida os gritos de alegria de Ana Beatriz.
Ela apontou nas escadas, Ana gritava de alegria. Não poderia ser só pelo sorvete que foram tomar.
B: O que foi que aconteceu, filha?
A: Olha, mãe. Eu ganhei do papai.
Logo Beatriz entendeu, o Ipad que tanto ela queria, estava nítido que não demoraria muito, Bento sempre faz o que ela quer.
Beatriz apenas sorriu forçadamente como se aprovasse tal presente e continuou a descer as escadas.
Procurava encontrar o mordomo, queria fazer-lhe algumas perguntas. Talvez pudesse saber o que Bento fazia naquela casa, o porquê decidiu morar aqui com a família.
-
Ela atravessou a sala com a inocência de que poderia passar ao outro cômodo despercebida ou não questionada por Bento.
Benn: Onde está indo, Beatriz?
B: Vou à cozinha, quero ter certeza de que o jantar sairá bem.
Benn: Os empregados cuidam disso.
B:Bento, não podemos deixar tudo nas mãos dos empregados, não acha?
Ela continuou andando em direção a cozinha.
Benn: Eu já disse que os empregados cuidam disso, Beatriz.
A mesma parou onde estava, não tinha mais argumentos para continuar, na verdade nunca teve.
Benn: Não quero você perto dos empregados, eu dito as regras, eles obedecem, qualquer mudança reporte a mim, e eu mudarei as regras. Faça o que eu mando, ou terá problemas.
Como sempre, apenas virou-se em direção a escada e começou a subi-las, o mais estranho de tudo isso, é que sua filha nunca questionava o pai, nunca entrou no meio de uma briga ou discussão.
Era criança mas é claro que já ouviu o pai humilhar a mãe, os choros de Beatriz eram inconfundíveis através das paredes da casa.
E mesmo assim nenhuma pergunta era feita ao pai.
Voltou ao quarto e respirou fundo, nada mudaria. Tudo continuaria exatamente como sempre foi.
-
Naquela noite, Bento resolveu não perturbar Beatriz.
Era uma cidade linda e provavelmente cheia de prazeres para um homem como ele, deveria estar satisfeito.
Estranhou o fato de não estar amarrada e nem trancada naquela casa, o que poderia ser diferente ali? Será que por ser uma casa afastada da cidade de nada adiantaria fugir? Correria e correria pelos campos a sua volta e não chegaria a lugar nenhum?
Ou Bento apenas estará dando sorte para o azar.
Já era madrugada e Beatriz ainda não conseguira dormir.
Mesmo no escuro continuava com os olhos fixados no teto. A casa era antiga demais, Bento deveria ter gasto muito dinheiro para reforma-la. Mas algumas coisas ainda se notada.
Como a alguns riscos no assoalho de madeira, alguns eram bem grossos.
Ela se levantou, queria saber que segredos eram escondidos naquela casa.
Talvez Bento nunca ficasse sabendo que saíra naquela madrugada para explorar a casa, Rubens ó fiel escudeiro de Bento já não existe mais para privá-la.
Aproximou-se da porta e ao fechar os olhos e contrair a boca, girou lentamente a maçaneta.
Levemente puxou a porta que infelizmente ainda tinha as dobradiças um tanto enferrujada, e mesmo que devagar, ecoou certo barulho no silencio daqueles corredores.
Apontou a cabeça no corredor e certificando-se de que não havia nada e nem ninguém, ela arriscou o primeiro passo.
E logo algo chamou sua atenção. A pequena fresta por debaixo da porta misteriosa estava acesa, alguém estava lá. Seria Bento?
O primeiro impulso de voltar para o seu quarto antes que alguém a pegasse ali, passou rapidamente.
Era curiosa demais, aproximou-se em passos silenciosos, os pés descalços a ajudavam no silencio.
Enfim em frente a porta, suava, o coração palpitava freneticamente, parecia que a certa hora sairia pela boca.
Estava com medo, mas muito curiosa ao mesmo tempo, a adrenalina de saber que não poderia ser pega a fazia sorrir de leve.

_ O que está fazendo aqui?
 

Romances da Laura Template by Ipietoon Cute Blog Design and Bukit Gambang